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sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Para cada problema, uma solução

Com o crescimento das cidades, desafios como mobilidade, ineficiência nos serviços públicos, déficit habitacional, criminalidade e escassez de recursos hídricos e energéticos tendem a se acentuar, mas há luz no fim do túnel


Há cidades de vários portes: pequenas, de tamanho médio, até chegar a megacidades, ou megalópoles. Um dado que define uma megacidade é uma área metropolitana com uma população total de mais de 10 milhões de pessoas. Esse parâmetro elenca 35 megacidades no mundo, segundo estudo publicado pela revista The Economist em fevereiro de 2015. Nesse conjunto, São Paulo fica na 11ª posição, com uma área metropolitana que abriga mais de 20 milhões de habitantes, e que deve superar os 23 milhões até 2030, de acordo com a projeção divulgada pela revista inglesa.

Esses grandes aglomerados urbanos – e outros nem tão grandes assim – costumam padecer das mesmas dificuldades. É o que esclarece o professor do Departamento de Engenharia de Produção da Poli-USP Leandro Patah: “Os principais problemas das grandes cidades giram em torno de questões como desemprego, déficit habitacional, mobilidade, ineficiência nos serviços oferecidos aos cidadãos, criminalidade, drogas, pobreza, falta de água, riscos crescentes à saúde e stress”. 


Esses problemas são menos comuns em pequenas cidades, onde a vida é mais tranquila. “Há problemas na área de saúde, por exemplo, mas outras questões, como mobilidade ou stress, não são representativas. Já nas grandes cidades, é aquela complicação que a gente já sabe”, complementa o professor.

Para ser considerada inteligente, uma cidade precisa ter uma visão de desenvolvimento urbano com o objetivo de integrar múltiplas soluções de tecnologias de informação e comunicação (TIC) de uma forma segura para gerenciar os ativos de um município. “Ou seja, os recursos de uma cidade precisam ser bem geridos para prover a qualidade de vida dos cidadãos”, explica Patah. Esses ativos compreendem desde departamentos locais de TI, escolas e bibliotecas, sistemas de transporte, hospitais, iluminação pública e usinas de energia, estacionamentos públicos, até as redes de abastecimento de água, serviços de coleta de lixo, limpeza de ruas e a segurança. 

O responsável pela área de desenvolvimento de negócios da certificação AQUA-HQE, da Fundação Vanzolini, Bruno Casagrande, lembra de outros elementos que farão de uma cidade mais, ou menos, inteligente. “Penso que, na verdade, a smart city é a integração entre uma boa gestão de recursos, o planejamento urbano, o uso de tecnologias, mas o cerne da coisa são as pessoas. Trata-se de promover uma boa relação entre as pessoas e a cidade, de uma forma mais afetuosa, inclusive”, diz o arquiteto.

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quarta-feira, 6 de setembro de 2017

OS ESTUDOS AVANÇAM

Disciplina que vai apresentar como as novas tecnologias podem ser utilizadas para melhorar a vida e o trabalho das pessoas nos territórios urbanos, convênios com centros de pesquisa e parcerias com prefeituras e iniciativa privada são desdobramentos do Laboratório Conecticidade


Embora a constituição do grupo seja recente, os desdobramentos do Conecticidade – Laboratório de Cidades, Tecnologia e Urbanismo já se fazem sentir. Além dos encontros mensais, o laboratório avançou no campo da pesquisa, com alunos de graduação e pós-graduação se dedicando ao tema. Como o objetivo é estudar a cidade sob uma visão sistêmica, “a base na Engenharia de Produção, que pode trabalhar de forma holística o conhecimento de várias áreas, como a engenharia elétrica, de transportes, civil, a arquitetura e urbanismo, é uma vantagem”, detalha o professor do Departamento de Engenharia de Produção da Poli-USP Leandro Patah, um dos organizadores do grupo. “E os alunos vão pesquisar justamente isso, um modelo de visão sistêmica aplicado a uma cidade, que é um organismo vivo.”
Outra iniciativa é a criação de uma disciplina optativa lançada no Departamento de Engenharia de Produção neste segundo semestre para alunos da USP. Com o título de “Gestão Integrada de Cidades Inteligentes”, o curso do Departamento de Engenharia de Produção será ministrado pelos professores Marcelo Pessôa, Leandro Patah e Joaquim Ferreira. O objetivo é apresentar como as novas tecnologias, em particular a tecnologia da informação, podem ser utilizadas para melhorar de forma significativa a vida e o trabalho das pessoas nos territórios urbanos.
Um passo essencial que está em andamento é o estabelecimento de convênios com outros centros de pesquisa no Brasil e no mundo, além da parceria com prefeituras e a iniciativa privada.

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quarta-feira, 30 de agosto de 2017

INTELIGÊNCIA A SERVIÇO DA QUALIDADE DE VIDA NAS CIDADES

Diante da perspectiva de que, em 30 anos, 70% da população mundial viva em centros urbanos, é preciso agir para buscar soluções que garantam a qualidade de vida dos cidadãos. Esse é o objetivo maior do grupo de pesquisa multidisciplinar sobre smart cities chamado Conecticidade

Foi na última década que começou a se difundir o conceito de cidade inteligente, ou smart city. Antes disso, seria inviável pensar no emprego sistêmico da tecnologia da informação e comunicação (TIC) na integração de itens da gestão de uma cidade, como iluminação pública, tráfego e transporte, segurança e defesa civil, acessibilidade e serviços à população, água e esgoto, e vigilância sanitária.
A boa notícia é que hoje a tecnologia, se bem empregada, pode facilitar a vida das pessoas e contribuir em larga escala para a qualidade de vida nos centros urbanos. “Todo esse conjunto de tecnologias que vai ajudar as empresas a vender mais produtos, vai ajudar as pessoas nos seus empregos, tudo isso tem de estar a serviço de um objetivo maior, que é a qualidade de vida, para que a gente consiga viver bem, preservar nosso planeta e ter uma continuidade econômica”, afirma o diretor de Certificação da Fundação Vanzolini, José Joaquim do Amaral Ferreira.

Grupo de pesquisa na Poli

No ano de 2007, houve a inversão do número de pessoas que moram em centros urbanos em relação aos habitantes do campo. Atualmente, mais de 50% da população global vive em cidades, e a previsão da Organização das Nações Unidas (ONU) é que esse número atinja os 70% em 2050.
Buscando evitar o futuro sombrio, pesquisadores do mundo todo trabalham em soluções para garantir a tão almejada qualidade de vida no meio urbano. Uma iniciativa recente que visa estudar as smart cities teve início em 2016, no Departamento de Engenharia de Produção da Poli-USP. Trata-se do Conecticidade – Laboratório de Cidades, Tecnologia e Urbanismo, organizado pelos professores José Joaquim do Amaral Ferreira, Marcelo Pessôa e Leandro Patah. O núcleo de pesquisa multidisciplinar conta ainda com a participação da Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura (AsBEA), da Fundação Vanzolini e inclui membros da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV). No escopo do trabalho está a aplicação prática de conceitos envolvendo planejamento urbano, automação de sistemas da cidade, big data e as cidades conectadas.



Entre os temas de pesquisa, estão a sustentabilidade urbana, sistemas de IoT – internet of things (internet das coisas) e as possibilidades de melhoria dos serviços urbanos, tendo como foco as possíveis aplicações nas cidades brasileiras. “Estamos com o grupo funcionando desde o final do ano passado e desde então temos feito reuniões regulares”, afirma o professor Marcelo Pessôa, presidente do Conselho Curador da Fundação Vanzolini. “As cidades são muito desintegradas, a estrutura de gestão das prefeituras de uma maneira geral é muito fracionada.” Isso gera uma série de problemas, como secretarias que não conversam entre si, demora no atendimento à população, gestão ineficiente. E a ideia é entender como a cidade pode existir como um sistema harmônico e integrado. “Ou seja, estabelecer o que é preciso fazer para ter uma cidade bem gerenciada e que ofereça conforto, que seja agradável, com segurança e com foco no cidadão. Usando o quê? Tecnologia e gestão”, acrescenta.

Segundo o professor Joaquim Ferreira, a participação da Diretoria de Certificação da Fundação Vanzolini no grupo colabora com o objetivo de adotar uma visão de sistema, seja no âmbito do meio ambiente, da responsabilidade social, seja no da segurança da informação. “De maneira que a gente possa, juntando as peças desse quebra-cabeça chegar ao que realmente interessa, a nossa qualidade de vida, a preservação de nosso planeta e de nossa sociedade”, completa.


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